terça-feira, 24 de abril de 2012

Software Livre: Redução de custos para as empresas e mais empregos

Autor: Dennye Garcia
Data: 23/04/2012

Software livre no setor privado: Quer pagar quanto?

No mercado atual, é impossível sobreviver sem um mínimo de investimento em tecnologia. Das pequenas empresas até as multinacionais, a informática está presente, de maneira essencial para a sobrevivência dessas organizações.

Ao passear pela rua perto de sua casa, é fácil encontrar uma locadora, farmácia ou padaria com pelo menos um computador sendo utilizado para controle de caixa, além de outras coisas.

A maioria destes computadores nas pequenas e médias empresas estão em situação irregular, utilizando software proprietário sem qualquer tipo de licença.

Para muitas pessoas, a pirataria representa uma barreira para a utilização de software livre. Ou seja, se posso piratear, por que me preocupar?

Mesmo que ineficiente, a fiscalização existe e estamos todos sujeitos a ela. Então eu pergunto: Por que correr o risco?

É perfeitamente possível obter os mesmos resultados utilizando software livre. Veja uma loja de shopping por exemplo. Dois ou três computadores ligados em rede, com acesso à Internet, utilizando Windows e executando um programa de controle de vendas e estoque feito em Delphi ou Visual Basic. Por que pagar duas ou três licenças de Windows, uma de SQL Server e às vezes do Microsoft Office (no caso de usar o Access como banco de dados) só para executar um único programa? Por que gastar com software se posso ter os mesmos dois ou três computadores ligados em rede utilizando Linux com KDE ou Gnome, MySQL, um programa de controle de vendas feito em Java (ou PHP / JSP no caso de um sistema de Intranet) e Mozilla para acesso a internet?

Nas grandes empresas, é necessário que cada máquina possua no mínimo um sistema operacional e pacote de programas de escritório. No caso de um computador com os softwares da Microsoft, estamos falando do Windows e do MS Office: Word para confecção de documentos, Excel para geração de planilhas eletrônicas, Power Point para criar apresentações em slides e o Outlook para trocar e-mails com clientes, fornecedores e colegas de trabalho.

Hoje é perfeitamente possível substituir este cenário por computadores utilizando Linux e programas de escritório como Open Office e programas clientes de e-mail, com tanta praticidade quanto o sistema da Microsoft.

Existe compatibilidade entre os arquivos gerados em ambas as plataformas, ou seja, a comunicação entre empresas via troca de arquivos/e-mails não fica comprometida.

Não vou dizer que todos os softwares livres existentes atualmente estão em plenas condições de substituir os softwares proprietários existentes. Eu particularmente, acho que programas de tratamento de imagens como o GIMP ainda não podem competir de igual pra igual com o Photoshop por exemplo. Mas a comunidade GNU está caminhando para isso. A questão é: se posso reduzir o número de máquinas com software proprietário em minha empresa e economizar o capital destinado ao pagamento destas licenças de software, por que não fazer? Em média, uma empresa atualiza seu parque de informática a cada 2 ou 3 anos, ou seja, de 3 em 3 anos deve-se adquirir máquinas e softwares. Por que não pagar apenas pelas novas máquinas?

Sabendo disso tudo, só tenho uma pergunta: Quer pagar quanto?

Eu prefiro pagar o mínimo possível.


www.softwarelivre.gov.br: Precisa falar mais alguma coisa?

Tem gente que diz que software livre não é seguro? Que não é confiável? O governo do Brasil não acha. O CTISL (Comitê Técnico de Implementação de Software Livre) é um órgão criado pelo governo federal para auxiliar no processo de migração dos softwares proprietários utilizados pelo governo para softwares livres. O objetivo é reduzir ao máximo o gasto com licenças de software além de popularizar o uso de software livre no país.

Estas iniciativas propiciam uma série de vantagens para o país de maneira ampla. Além da independência tecnológica, milhares de profissionais que trabalham com software livre terão oportunidades de trabalho com a prestação de serviços direta ou indireta para o governo federal.

A previsão de economia é de bilhões de reais que atualmente são gastos com licenças de software e que, teoricamente, poderão ser aplicados em outras áreas como educação e saúde.

Um dos projetos interessantes é o IDBRASIL, que proporciona a inclusão digital com o uso de software livre. Para maiores informações, vá ao site http://www.idbrasil.gov.br.

O Ministério da Previdência, através do INSS e da Dataprev, é o maior caso de uso de software livre no Governo Brasileiro. São mais de 500 servidores para as mais diversas tarefas e missão crítica. Em uma publicação feita no site www.softwarelivre.gov.br, veja a estrutura desenvolvida pela Dataprev:

Na Dataprev, são utilizados os seguintes softwares:
  1. Sistema operacional GNU/Linux em servidores e estações de trabalho (137 técnicos capacitados);
  2. Servidor de IRC (chat) do site www-linuxprev;
  3. Servidores web Apache em sites intranet e na aplicação PRISMA via Web, disponível na Internet (5 servidores);
  4. Servidores web TomCat em aplicações web;
  5. OpenOffice.org (57 multiplicadores capacitados, 200 pessoas do INSS treinadas);
  6. Browser Mozilla;
  7. SGBD PostgreSQL;
  8. SGBD Firebird (sites www-prevms, www-surep e www-linuxprev);
  9. Banco de dados MySQL;
  10. Plataforma J2EE para desenvolvimento de aplicações web;
  11. Ambiente JUDE (Java UML Developer´s Environment);
  12. Ferramenta de desenvolvimento Java - Eclipse;
  13. Ferramentas SQL Tools;
  14. Ferramentas case OO Argo UML e Poseidon para desenvolvimento de aplicações;
  15. Linguagem de programação PHP;
  16. Editor de páginas Web CSITE;
  17. Prospecção de ferramentas cliente para correio eletrônico Mozilla e Evolution;
  18. Prospecção de servidor de correio Direto;
  19. Prospecção de ferramentas para geração de relatórios via web;
  20. Prospecção de emulador de terminal para acesso ao D3 (substituto ao Accutem) - TERATERM;
  21. Prospecção do emulador WINE para uso do sistema SART em estações GNU/Linux;

Na Dataprev, estão em uso as seguintes ferramentas de gestão do ambiente:
  1. CVS (Concurrent Versions System) - gerenciador de fontes para plataforma baixa (3 servidores e 350 desenvolvedores treinados);
  2. Nagios - gerenciador de circuitos e servidores em rede (19 máquinas em todo Brasil);
  3. Squid - servidores de gerenciamento de rede proxy-cache de alta performance para clientes web, suportando protocolos FTP, gopher e http; permitindo o controle de acesso a sites e o cache de páginas web. (26 servidores em todo Brasil);
  4. NTOP - ferramenta de análise de rede;
  5. MTRG (Multi Router Traffic Grapher) - software para monitoração de tráfico de rede (2 servidores);
  6. CUPS (Common Unix Printing System) - Gerenciador de impressão;
  7. NTP (Network Time Protocol) - gerenciador de horário dos servidores (1 servidor);
  8. DNS - Servidor de Nomes do Domínio (3 servidores);
  9. DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol) - servidor de configuração automática de computadores que usam TCP/IP (2 servidores).

Na Dataprev, foram desenvolvidas as seguintes ações:
  1. Migração de servidores Novell e Unixware para GNU/Linux (200 máquinas);
  2. Migração de servidores de arquivos para o Samba (300 máquinas) com sistema operacional Unix/SCO nas APS (300 máquinas);
  3. Teste das aplicações legadas em uso nas APS em estações GNU/Linux;
  4. Uso de emulação das aplicações Windows via Rdesktop para apresentação em estações Linux;
  5. Uso de servidores de laboratório para prospecção de solução de alta disponibilidade;
  6. Uso de estações de trabalho em ambiente de laboratório;
  7. Software Livre em cerca de 430 servidores;

Na Dataprev, foram desenvolvidas as seguintes aplicações:
  1. PRONTO - Programa de Otimização do Atendimento - sistema gerenciador de filas;
  2. AchaPREV - sistema de busca na intranet;
  3. GuruPREV - sistema de gestão de conhecimento;
  4. CACIC - Configurador Automático e Coletor de Informações Computacionais -sistema de monitoramento de servidores;
  5. Desenvolvimento de macros do OpenOffice para aplicações do CNIS (50 relatórios);
  6. Desenvolvimento de macros do OpenOffice para o BIP - Boletim Informativo da Procuradoria;
  7. SILIGA - sistema de controle das ligações telefônicas;
  8. BIP - sistema de registro de reuniões formais;
  9. LEDEVOLVE - Sistema de Biblioteca Virtual;
  10. EVIP - Espaço Virtual da Previdência Social;
  11. SysCB-WEB - Sistema de Cálculo de Benefício;
  12. CADGER - Cadastro de Informações Gerais CADGER - Cadastro de Informações Gerais;
  13. Sistema de Notícias;
  14. SPEP - Sistema para o Programa de Educação Previdenciária;
  15. SPI - Sistema de Planejamento Integrado;
  16. SCA - Sistema de Controle de Acesso da Home Page da GEx JPS;
  17. ADM - Aniversariantes do Mês;
  18. SPA - Sistema de Solicitação de Processos Administrativos;
  19. SCAF - Sistema de Controle de Acesso Físico;
  20. Sistema Troca de Senha em servidor NT, GNU/LINUX e UNIX;
  21. Site www-linuxprev - divulgação de Software Livre;
  22. Site www-prevms - divulgação das ações da Gerência Executiva de Campo Grande e da Gerência Executiva de Dourados;
  23. Site www-surep - divulgação das ações da Superintendência de Rede de Atendimento.

Precisa falar mais alguma coisa?


Conclusão

Seja nas empresas privadas ou nos órgãos públicos, a utilização de software livre proporciona vantagens para quem utiliza e para quem vende consultoria e desenvolvimento de ferramentas baseadas nesta plataforma.

Reduz custos, aumenta nossa independência tecnológica e gera mais empregos. Passaremos a pagar pelo serviço prestado e apenas quando necessário. Os softwares possuirão um alto nível de personalização para a exata necessidade do cliente. Estas são apenas algumas vantagens que poderão ser obtidas com a utilização de software livre no Brasil. Existem ainda muitas outras. Pense bem...

Todo mundo ganha.

Uma breve História da Computação

Neste clip, uma breve história da computação. Mostra desde a invenção das primitivas calculadoras até os dias de hoje. A trilha sonora é do grupo alemão Kraftwerk, que inovou nos anos 70 com suas músicas eletrônicas. Como todo radioamador gosta de tecnologia, tenho certeza que vão gostar desse resumo da informática.